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“Chora, negrada vitimista”, diz Camargo após sair da Fundação Palmares

As manchetes recortadas exibem a notícia da exoneração de Sérgio Camargo, que deixou a Palmares para lançar a pré-candidatura a deputado federal por São Paulo.

O ex-presidente da Fundação Palmares Sérgio Camargo (PL) se manifestou no Twitter após ter deixado a instituição. Ao compartilhar uma foto com Jair Bolsonaro (PL) e recortes de notícias, Camargo escreveu: “Chora, negrada vitimista”.


As manchetes recortadas exibem a notícia da exoneração de Sérgio Camargo, que deixou a Palmares para lançar a pré-candidatura a deputado federal por São Paulo.


Camargo se filiou ao PL, mesmo partido do presidente da República. Na imagem compartilhada no Twitter de Camargo, há escrito: “sou o terror dos afromimizentos e libertei a Palmares kkk. A batalha continuará na Câmara Federal”.


Na manhã deste domingo, em novo tuíte, ele disse que vai “detonar o discurso e as pautas da militância vitimista”. “Chega dessa porcaria! Negros não precisam ser vítimas. Negros não precisam ser de esquerda. Negros são livres”, escreveu.


Não é a primeira vez que Camargo publica frases racistas e agressivas. Desde que assumiu o posto de presidente da Fundação Palmares, ele foi criticado por lideranças de movimentos negros por essas manifestações.


A mais recente foi em fevereiro deste ano, Camargo foi alvo de diversos pedidos judiciais depois de afirmar que o refugiado congolês Moïse Kabagambe, espancado até a morte no Rio, era “vagabundo morto por vagabundos mais fortes”.


O ex-presidente da Fundação Palmares, que se define como “negro de direita, antivitimista, inimigo do politicamente correto, livre”, nega a existência do racismo estrutural e chamou movimentos negros de “conjunto de escravos ideológicos da esquerda”.


Racismo estrutural existe e é o termo usado para reforçar o fato de que existem sociedades estruturadas com base na discriminação que privilegia algumas raças em detrimento das outras. No Brasil, nos outros países americanos e nos europeus, essa distinção favorece os brancos e desfavorece negros e indígenas.


Segundo dados da Pnad, negros (definidos pelo IBGE como pretos e pardos) têm maiores dificuldades de acesso à moradia: 7 em cada 10 que moram em casas com inadequação são pretos ou pardos. A desigualdade também é sentida na vulnerabilidade: mulheres negras têm 64% mais riscos de serem assassinadas quando comparadas com mulheres brancas.


Já um estudo divulgado pela PUCRS (Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul), em parceria com a Rede de Observatórios da Dívida Social na América Latina (RedODSAL), mostra que trabalhadores negros recebem salário 17% menor que o de brancos que têm a mesma origem social, em média.


O Anuário Brasileiro de Segurança Pública de 2020, por sua vez, aponta que oito a cada dez pessoas mortas pela polícia em 2019 eram negras.