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Mulher procura por mãe e irmã soterradas na casa da família; ‘Vontade de desenterrar com minhas mãos’

A consultora Sofia Sorgini Cortesi, de 26 anos, conversou com a mãe e a irmã durante a tempestade que devastou a cidade de Petrópolis, na Região Serrana do Rio de Janeiro, no final da tarde desta terça-feira. Mas em 22 minutos, a informação tranquilizadora de que tudo estava bem se desvaneceu em um silêncio angustiado. Maria Bernadete Sorgini, de 61 anos, e Olga Sorgini Cortesi, de 27 anos, não responderam a nenhuma mensagem enviada. E a casa da família foi enterrada sob a lama. Esta quinta-feira, os bombeiros retomaram a busca por vítimas: o número total de mortos ultrapassa os 100.

“Conversei com minha irmã às 18h22, justamente sobre a chuva. Às 18h33 a Olga disse que estava tudo bem, mas tinha entrado um pouco de água na cozinha. Às 18h44 eu mandei outra mensagem e ela já não me respondeu mais.” disse Sofia.

A casa da família ficava na Rua Jacinto Rabelo, em Vila Felipe. A propriedade foi devastada pela tempestade. Sofia só conseguia falar com tios que moravam em outras residências localizadas no mesmo terreno. Parentes foram encarregados ​​de relatar que a casa de Sofia havia sido destruída pela força da enchente.

Bombeiros estiveram no endereço da família na tarde desta quarta-feira. Mas desde a noite anterior, voluntários, parentes, vizinhos passaram pelo local para tentar encontrar sobreviventes e tentar evitar que mais acidentes aconteçam.

“A vontade do meu coração é ir para lá desenterrar com minhas próprias mãos, mas sei que não vou conseguir isso. Os bombeiros são mais capacitados para isso, então o melhor que faço é ficar aqui [em São Paulo] e tentar ajudar como eu posso.” finalizou Sofia.

Sofia compartilhou as informações da mãe e da irmã em um perfil do Instagram criado para ajudar na busca de informações sobre as vítimas, os “Desaparecidos Petrópolis” (@desaparecidospetropolis). A página, criada na tarde de quarta-feira, já conta com mais de 10.500 seguidores e apresenta-se como um perfil voluntário dedicado a divulgar referências para contactar pessoas desaparecidas nas chuvas. De acordo com o Ministério Público do Rio, 35 pessoas já foram registradas como desaparecidas devido a deslizamentos de terra na região.

A aposentada Neli Cerqueira de Carvalho, de 74 anos, conversou por telefone com o irmão Aílton Dias Cerqueira, de 68 anos, e a cunhada, Ieda, de 62 anos, durante a tempestade que atingiu Petrópolis, na região serrana, nesta terça-feira. O casal, que mora no Morro da Oficina, no Alto da Serra, estava tranquilo e disse que “descia muita água”. Algumas horas depois, os telefones dos idosos pararam de atender.

“É uma angústia terrível.” resumiu a aposentada.

A recepcionista Emanuelly Mussel Macedo de Arruda e o marido Leandro Caio da Silva Furtado comemorariam seu aniversário com a família, que completaria 24 anos nesta terça-feira. Não deu tempo de festa: a casa em que moravam, na Rua Vila Felipe, no Bairro Alto da Serra, foi atingida por uma montanha de lama, água e entulhos e desabou. Desde então, o casal, que estava junto há seis anos, está desaparecido.

“Eu peguei a minha neta no colégio e trouxe para minha casa porque não tinha notícia da minha filha e do meu genro. Hoje, meu marido foi no endereço deles e viu que a casa havia desabado. Eles não foram encontrados ainda. Estou desesperada. Estamos procurando em hospitais também. Tenho esperança de encontrá-los vivos. Nós iríamos fazer uma surpresa para eles e passaríamos o aniversário com os dois. Choveu muito e gente não teve como ir.” disse Graziella Mussel, mãe de Emanuelly, chorando.

De acordo com o MP, as comunicações ao órgão estão sendo recebidas pelo Programa de Localização e Identificação de Desaparecidos (PLID/MPRJ), que está mobilizado em sua central de atendimento. As informações sobre pessoas desaparecidas são recebidas pelos canais de comunicação do PLID no telefone: (21) 2262-1049, e-mail: [email protected] e no site: www.mprj.mp.br/todos – projetos/plid.

Uma vez cadastrados no banco de dados PLID, as informações e características físicas dos desaparecidos compartilhadas por parentes e familiares são verificadas em outros bancos de dados oficiais. Há também uma equipe, formada por servidores públicos e procuradores, no Hospital Alcides Carneiro, no bairro de Corrêas, e no Instituto Médico Legal da cidade, na Rua Vigário Corrêa.

Nesta quarta-feira, um escritório de crise foi criado para articular diferentes frentes de atuação para enfrentar o problema. Os primeiros objetivos são agilizar o processo de identificação de corpos, fiscalizar e acompanhar as necessidades da população nos 16 pontos de apoio que recebem moradores de rua, acompanhar novos riscos junto aos órgãos competentes e atuar na localização de desaparecidos. O MPRJ também mobilizou uma campanha de arrecadação e distribuição de doações.