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O drama das mães que tiveram os bebês trocados na maternidade e agora precisam devolver

A dona de casa Juciara Maria da Silva, de 28 anos, que é mãe de um dos bebês que foram trocados em um hospital de Aparecida de Goiânia, na região metropolitana da capital, se emocionou ao pensar em ter que devolver o menino de quem cuida há quase um mês atrás.

“Vai ser um mês e quantos dias para devolver uma criança que eu cuidei, que amamentei, levei para casa, que meus filhos, minhas irmãs já se apaixonaram. Como que a gente fica nessa história? Dói”, lamentou Juciara.

As crianças nasceram no dia 29 de dezembro do ano passado, no Hospital São Silvestre. A advogada da unidade de saúde, Luciana Azevedo, registrou no boletim de ocorrências que o exame de DNA confirmou a situação. O caso é investigado pela Polícia Civil.

Em comunicado, o hospital informou que “De fato, houve uma quebra no protocolo do hospital” e que, ao serem notificadas, as duas famílias foram imediatamente notificadas. A unidade de saúde informou ainda que abriu processo administrativo para apurar os fatos “e que já houve a suspensão de vários envolvidos” (leia nota na íntegra ao final do texto).

A dona de casa disse que o hospital a informou que acreditava que havia troca de pulseiras entre seu filho e o outro bebê durante o teste do pezinho. Muito emocionada, ela disse que, por ela, não trocaria a criança.

“Não, não trocaria, mas aquele é o meu, como que a gente vai ficar com o filho assim?”, disse.
A delegada Bruna Coelho, responsável pelo caso, afirmou que, até a noite de quinta-feira (27), não havia tido acesso aos documentos. “Foi registrada uma ocorrência. Nós vamos identificar se houve a identificação correta ou não [dos bebês], se foi doloso ou culposo – toda essa circunstância criminal. Tudo indica que houve pelo erro da identificação”, disse a delegada.

A outra família disse à TV Anhanguera que está muito abalada e que, por enquanto, prefere não dar entrevistas.

Como aconteceu a troca dos bebês

O advogado de Juciara, Eduardo Augusto, disse que, desde o nascimento dos bebês, as famílias aguardam ansiosamente o resultado do exame de DNA, que foi realizado pelo próprio hospital, após suspeitar da troca.

“As mães estão muito desestabilizadas. Não sabemos como serão as reações das famílias. Já tem toda uma questão de apego e afeto com os bebês”, disse o advogado.

O advogado contou que quando sua cliente chegou ao quarto, após o parto, o filho já estava com a irmã. No entanto, minutos depois, enfermeiras e funcionários da unidade começaram a questioná-la sobre as características do pai do bebê, como a cor da pele.

Horas depois, segundo a advogada, o diretor do hospital foi até a mulher e a informou que, possivelmente, teria havido troca de bebês e que ela precisaria fazer um teste de DNA, que seria oferecido pela unidade em si.

Mesmo com a possibilidade de troca e, devido ao tempo que demoraria para sair o resultado, a diretora do hospital informou à mãe que ela poderia ir para casa com o bebê e que era para cuidar dele “como se fosse realmente o filho dela”, relatou o advogado.

Teste de DNA

O teste de DNA, segundo o advogado da família, ficou pronto na última segunda-feira (24), quando as duas famílias foram acionadas pelo hospital para que o resultado fosse entregue.

A defesa da família disse que as mães foram encaminhadas a um consultório, que faz o jurídico da unidade hospitalar, mas que, ao chegarem ao local, o advogado não quis entregar os exames, “alegando que deveria ser feita uma contraprova”.

No entanto, em nota, o Hospital São Silvestre informou que o resultado do exame foi informado às famílias na última segunda-feira, “todavia, devido à emoção da situação vivenciada, não foi entregue qualquer documento”.

A unidade disse ainda que uma das famílias já procurou o hospital e os resultados dos exames já foram disponibilizados. “Sendo inverídica a negativa por parte do hospital de demonstrar qualquer documento ou exame realizado”.

Como resultado, uma das famílias decidiu registrar boletim de ocorrência na Polícia Civil. Porém, ao chegar na delegacia, descobriu que o próprio hospital já havia feito o cadastro e que o caso já está sendo investigado. A mãe de um dos bebês prestou depoimento na tarde desta quinta-feira (27).

Nota do hospital na íntegra

O Hospital São Silvestre informa que, de fato, houve uma quebra no protocolo do hospital no dia 29 de dezembro de 2021. A situação foi percebida quando da alta médica de uma das mães, sendo que de imediato as duas famílias foram comunicadas e foi solicitado pelo Hospital a realização de teste de DNA. As famílias se mostraram resistentes a todo momento a qualquer exame, o qual levaria quinze dias para ficar pronto (conforme determinação do laboratório responsável pelo exame).

O resultado do exame foi informado às famílias na última segunda-feira (24), todavia, devido a emoção da situação vivenciada, não foi entregue qualquer documento. Mas uma das famílias já procurou o hospital e já foi disponibilizado o resultado do exame. Sendo inverídica a negativa por parte do hospital de demonstrar qualquer documento ou exame realizado.

O hospital abriu um processo administrativo ainda no dia 1º de janeiro de 2022 para apuração dos fatos, e já houve a suspensão de vários envolvidos. Foi solicitada na quarta-feira (27), a abertura de investigação na Delegacia de Proteção a Criança e do Adolescente, para que auxiliasse o hospital na condução do caso.

Nesta quinta-feira (27), foi protocolado informação dos fatos ao Ministério Público, para que preste o mesmo auxílio.

O Hospital entende a gravidade dos fatos, e se coloca, como se colocou em todos esses dias, à disposição das famílias ao que for necessário a fim de tentarem encontrar o melhor caminho.