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Ricardo Eletro está no “fundo do poço”? Entenda

Ricardo Eletro está no “fundo do poço”? Entenda

“A empresa chegou ao fundo do poço, mas agora apostamos em reformas abrangentes e uma pegada mais digital, mas não em arrogância”, diz presidente

O empresário Ricardo Nunes, fundador da Ricardo Eletro (Crédito: Reprodução/YouTube Mercado & Consumo)

Quem visitar o site da Ricardo Eletro em busca de ofertas de tudo, de TVs a máquinas de lavar, vai ficar desanimado. Isso porque apenas um punhado de itens aleatórios, como coleiras anti-latido, colchonetes para exercícios e repelentes eletrônicos de insetos, são vendidos no site, que já foi o segundo maior varejista de eletrônicos do Brasil.

Essa realidade complicada está prestes a mudar, segundo o presidente da empresa, Pedro Bianchi. No próximo mês, a varejista – a marca Máquina de Vendas – retomará a venda dos mais diversos sortimentos e múltiplas marcas por meio de seu marketplace, com uma marca totalmente redesenhada. E, no futuro, retomará suas próprias operações.

“A empresa chegou ao fundo do poço, mas agora estamos apostando em uma revisão abrangente e uma pegada mais digital sem arrogância”, disse Bianchi.

Para entender a situação atual da empresa, é necessário retroceder um pouco no tempo. A Máquina de Vendas surgiu após uma série de consolidações de varejistas regionais no início da década passada por Ricardo Eletro, proprietário do empresário Ricardo Nunes.

Além da marca principal, o grupo conta com outras marcas como Insinuante, Salfer, City Lar e Eletroshopping. Em 2014, o faturamento chegou a 9,5 bilhões de reais e possui 1.200 lojas.

No entanto, tudo começou a dar errado devido à dificuldade de absorver empresas adquiridas e operações digitais muito abaixo da concorrência.

2018 viu uma recuperação extrajudicial – graças a bilhões em dívidas com bancos e fornecedores – e uma promessa de que as coisas mudariam. Foi nessa época que Bianchi, então sócio do Starboard Fund, assumiu o comando da empresa.

A pandemia complicou a já combalida máquina de vendas, que decidiu fechar todas as suas lojas. Resultado: a receita da empresa caiu de R$ 180 milhões por mês em 2019 para quase zero.

Ricardo Nunes foi detido em 2020 e acusado de evasão fiscal para liquidar a sua dívida fiscal, mas passou apenas um dia na prisão.

Bianchi comprou uma participação no Nunes e o ex-proprietário saiu para se tornar treinador.

Durante a pandemia, Bianchi decidiu deixar seu cargo na Starboard para se concentrar totalmente nas máquinas de venda automática. Sua principal tarefa, portanto, é renegociar todas as dívidas da empresa, que somam 4 bilhões de reais, além de 1 bilhão de reais devidos em impostos.

Em decorrência de tudo isso, a empresa teve que entrar em recuperação judicial.

Presente

No processo, a empresa se realinha à nova realidade. O número de funcionários (até 28.000) é de 40, a maioria trabalhando em casa e alguns em modelo híbrido, trabalhando em uma pequena sede em Contagem (MG).

Seu próprio sistema de e-commerce foi substituído pelo VTEX.

Com o novo site, a Bianchi aposta nesse novo momento atraindo vendedores cobrando comissões menores sobre as vendas do que seus concorrentes.

Com essa estratégia, Bianchi estima que as vendas totais mensais da Sales Machine voltem a atingir 120 milhões de reais até o final deste ano.

A volta das lojas físicas está prevista para começar em São Paulo e Minas Gerais em 2023.

“Apesar de nunca termos tido uma loja em São Paulo, é o marketplace que mais compra no nosso e-commerce. Também estamos pensando em trazer algumas marcas de volta porque tem muitos consumidores pedindo lojas como Salfer e Insnuante voltar”, o presidente Say.