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Você sabe a origem da cachaça?

A primeira plantação de cana-de-açúcar conhecida no Brasil foi feita em 1504 por Fernão de Noronha na ilha que leva seu nome. E há referências de que o primeiro engenho de açúcar foi construído em 1516, na Feitoria de Itamaracá, criada por Pero Capico — primeiro ‘Governador das Partes do Brasil’.

No início da colonização do Brasil, a partir de 1530, a produção açucareira surgiu como o primeiro grande empreendimento de exploração. Afinal, os portugueses já dominavam o processo de plantio e beneficiamento da cana-de-açúcar – já realizado nas ilhas atlânticas – e ainda possuíam as condições climáticas que favoreciam a instalação de grandes unidades produtivas nas regiões litorâneas do território.

Para que todo esse trabalho fosse realizado, os portugueses acabaram optando pelo uso da mão de obra escrava africana. Entre outros motivos, os colonizadores perceberam que os escravos africanos estavam adaptados ao trabalho compulsório, tinham maiores dificuldades de fuga e geravam lucro para a Coroa por conta dos impostos cobrados sobre o tráfico de escravos.

No processo de fabricação do açúcar, os escravos colhiam a cana e, depois de triturar os talos, cozinhavam o caldo em enormes panelas até virar melado. Nesse processo de cozimento, produzia-se um caldo mais espesso, chamado cachaça, que era comumente servido junto com as sobras da cana para os animais.

Esse hábito fez com que a cachaça fermentasse com a ação do tempo e do clima, produzindo um líquido fermentado com alto teor alcoólico. Dessa forma, podemos muito bem acreditar que foram os animais de matilha e de pasto que provaram a nossa cachaça pela primeira vez. Um dia, muito provavelmente, um escravo fez a descoberta fazendo experiências com aquele líquido que se acumulava nos coxos dos animais.

Outra hipótese diz que, certa vez, os escravos misturaram um melaço velho e fermentado com um melaço feito no dia seguinte. Nessa mistura, eles acabaram fazendo com que o álcool presente no melaço velho evaporasse e formasse gotículas no teto do moinho. Enquanto o líquido pingava em suas cabeças e ia em direção à boca, os escravos provavam a bebida que teria o nome de “pinga”.

Nessa mesma situação, a cachaça que escorria do teto atingia as feridas que os escravos tinham nas costas, devido aos castigos físicos que sofriam. A queimação causada pelo contato das feridas com a cachaça teria dado o nome de “aguardente” a esse mesmo derivado da cana. Essa seria a explicação para a descoberta dessa bebida tipicamente brasileira.

Inicialmente, a pinga foi descrita em alguns relatos do século XVI como uma espécie de “vinho de cana” consumido apenas por escravos e indígenas. No entanto, à medida que a bebida se popularizou, os colonos começaram a substituir as bebidas caras importadas da Europa pelo consumo da popular e acessível cachaça. Atualmente, esta bebida destilada é exportada para vários lugares do mundo.